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Vereadora Kassi Pompeu denuncia abandono da educação indígena e convoca colegas a reforçar a luta das aldeias

Categoria:GeralData: 10/03/20264 visualizações
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Em pronunciamento firme na Câmara Municipal, a vereadora Kassi Pompeu dedicou sua fala ao mês da mulher e, em especial, às mulheres indígenas, que, segundo ela, “ainda têm pouca visibilidade” e enfrentam dupla barreira: o preconceito de gênero e a discriminação étnica. Relatando visitas às aldeias, com apoio logístico da Câmara, Kassi contou ter dialogado com mulheres que sofrem violência e reforçou o recado levado às comunidades: “agressão contra as mulheres indígenas não é cultura, é crime”, defendendo mais informação e coragem para denunciar agressores.

A parlamentar destacou a participação na sétima assembleia da Coapema, em Arame, que reúne lideranças indígenas de todo o Maranhão, onde sua filha Inayuri foi eleita para a coordenação da educação indígena na regional de Barra do Corda. Kassi parabenizou os representantes escolhidos e registrou a presença da ministra Sônia Guajajara, ressaltando a força do movimento indígena. Em seguida, voltou-se à realidade local, elogiou o atendimento no Hospital Materno, que chegou à marca de 9 mil nascimentos na gestão do prefeito Rigo Teles, com apoio de emendas da deputada Abigail, mas fez um contraponto duro em relação à educação.

Segundo a vereadora, a Regional de Educação de Barra do Corda atende cerca de 20 escolas de ensino regular e quase 200 escolas indígenas, distribuídas em oito municípios, dos quais seis têm comunidades indígenas. Ela afirmou que, apesar de existir termo de ajustamento de conduta para a construção de 70 escolas e recursos de precatórios destinados à educação, “nenhuma escola indígena do município” foi construída ou reformada pelo Estado na atual gestão, enquanto unidades urbanas e não indígenas vêm sendo ampliadas e climatizadas. Kassi descreveu um cenário de salas improvisadas em galinheiros, casas de farinha e barracões cobertos com palha, carteiras de madeira precária e professores que ainda pregam quadros em paredes de tábuas.

Kassi Pompeu informou que lideranças de diversas etnias e municípios se reuniram na Unidade Regional de Educação e exigiram que o governador envie, até sexta-feira, um representante com poder de decisão para tratar de infraestrutura escolar e outras demandas históricas. Caso não haja resposta, está prevista uma mobilização na própria regional, na segunda-feira, com a presença de indígenas de Barra do Corda, Fernando Falcão, Grajaú, Arame, Itaipava do Grajaú e Jenipapo dos Vieiras. A vereadora disse que não pretende mais participar de inaugurações de escolas estaduais bem estruturadas na cidade enquanto suas comunidades continuarem “sentando no chão”.

Em tom de cobrança, Kassi pediu que os demais vereadores deixem de lembrar das aldeias apenas em período eleitoral e passem a usar a tribuna, de forma permanente, para defender a pauta indígena. Agradeceu o apoio manifestado em plenário por colegas como Acioneis e Etheldo, mas reforçou que “a população indígena também é munícipe” e sofre com uma “política de desaculturação”. Ao encerrar, avisou que, se o governo estadual não der respostas concretas à educação indígena, reconsiderará seu alinhamento político: “A minha bandeira é indígena. Eu luto pelo meu povo, que me elegeu, e vou continuar lutando.”

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